As pesquisas demonstram uma porcentagem ainda muito pequena de usuários de crack, geralmente muito abaixo de outras drogas, mas na clínica o número é crescente. Por que a diferença entre pesquisa e realidade?
Cara leitora,
Podemos pensar em alguns fatores que podem levar a uma diferença entre o percentual das pesquisas epidemiológicas, a experiência dos profissionais de saúde que tratam dependência química e as informações da mídia.
Primeiramente, o percentual, ainda que pequeno, de usurários de crack na população brasileira, quando convertido em números absolutos gera uma grande quantidade de pessoas sofrendo com estes problemas. Tais pessoas estão concentradas principalmente em alguns centros urbanos, o que faz pensar que esta distribuição não é uniforme, assim, pode haver cidades onde a concentração de casos é maior.
As pesquisas mostram que o crack é uma droga de uso menos frequente que a cocaína em pó, maconha e álcool, mas também mostram que seu uso vem crescendo nos últimos anos.
O crack é uma droga que provoca um alto grau de dependência, devido à rapidez com que a cocaína fumada chega ao cérebro, e o sofrimento psíquico causado pela dependência é intenso, o que pode levar muitos usuários de crack a procurarem tratamento, de forma mais rápida do que ocorre com os usuários de maconha ou de álcool. Além disso, é conveniente lembrar que a maioria dos que utilizam o crack também apresentam dependência de outras drogas, como álcool, maconha e tabaco.
Como toda dependência de drogas, o uso de crack também atinge àqueles que convivem com o usuário, como família e amigos, e o impacto social deste grupo é grande.
Há um sofrimento emocional, social e até financeiro para a família e para aqueles que convivem com a dependência que não podem ser mensurados em estatísticas.
Tal conjunto de fatores pode justificar a atenção da imprensa e o do sistema de cuidado à saúde, mesmo que, em termos percentuais, esta população apresente um número baixo.
Um abraço
Equipe Álcool e Drogas sem Distorção
16/10/2008