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Dependência à nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes: uma comparação dos sintomas clínicos com a utilização de um novo formulário de avaliação.
Nicotine, alcohol, methamphetamine, and inhalant dependence: a comparison of clinical features with the use of a new clinical evaluation form. Junko Kono, Hisatsugu Miyata, Sadanobu Ushijima
Department of Psychiatry ~ Jikei University School of Medicine (Tóquio)
Genrou Ikawa
Sobu Hospital (Chiba)
Tomoji Yanagita
Department of Pharmacology I ~ Jikey University School of Medicine (Tóquio)
Katsumasa Miyasato
Department of Neuropsychiatry ~ St. Marianna University School of Medicine (Sugao)
Kenji Hukui
Department of Psychiatry ~ Kyoto Prefectural University of Medicine (Kyoto)

Alcohol 2001; 24: 99-106.
Visando à comparação clínica da sintomatologia relacionada ao consumo, uso nocivo e dependência de nicotina, álcool, metanfetaminas e inalantes os autores entrevistaram 25, 36, 11 e 6 indivíduos com dependência para tais substâncias respectivamente. Para analisar tais diferenças, o estudo baseou-se em seis critérios (quadro 1), sendo quatro destes, critérios relacionados ao processo de desenvolvimento da dependência química e dois relacionados às complicações sociais do consumo.

Quadro 1: Critérios escolhidos por Kono et al (2001) para a avaliação das diferenças entre a dependência de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes.
Processo de desenvolvimento da dependência Complicações sociais do uso
Efeitos subjetivos Tolerância Relevância do consumo Síndrome de abstinência Obrigações sociais Complicações físicas ou psíquicas
Sensação de prazer
Hiperatividade
Clareza de idéias
Embriaguez
Relaxamento
Melhora da disposição
Melhora do sono
 
Sentir menos os efeitos após um período continuado de consumo
Aumento da freqüência do consumo
Aumento da freqüência do consumo
Intensidade com que procura a droga
Sacrifícios para obtê-la
Tentativas de parar
Tempo máximo de abstinência
Fissura (craving)
Alucinações visuais
Delírios
Humor depressivo
Ansiedade
Inquietação
Desconcentração
Insônia
Negligência quanto aos compromissos escolares ou laborais
Consumo apesar dos prejuízos já ocasionados
Consumo apesar de problemas de saúde
Problemas legais
DISTÚRBIOS PSÍQUICOS
Nível de consciência
Pensamento
Humor
Ansiedade
Memória
Volição
Padrão de sono
 
DISTÚRBIOS CLÍNICOS
Sistema nervoso autônomo
Sistema circulatório
Sistema digestivo
Aparelho locomotor
Aparato sensorial


PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA DEPENDÊNCIA
Efeitos subjetivos
A nicotina é a que produz os efeitos subjetivos mais discretos. Todas as outras foram consideradas capazes de produzir sensação intensa de prazer. As metanfetaminas destacaram-se por sua capacidade de aumentar a clareza de idéias e diminuir a fadiga. A ação sedativa do álcool (embriaguez e sonolência) sobressaiu aos demais efeitos. Os inalantes mostram um padrão de efeitos subjetivos semelhantes ao álcool, porém de intensidade intermediária (figura 1).

Figura 1: Efeitos subjetivos verificados entre os usuários de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes. SCORE: 0 - 3 ("NENHUM EFEITO", "LEVE", "MODERADO", "SEVERO OU INTENSO")

 
Tolerância
A tolerância desenvolvida pela nicotina e a pelos inalantes foram equivalentes e menos intensas do que as desenvolvidas pelo álcool e pelas metanfetaminas.
 
Relevância do consumo
Os usuários de inalantes são aqueles que possuem um comportamento de busca pela substância menos pronunciado, se comparado aos demais. Por outro lado, são os que referem maior sacrifício de seu cotidiano e ganhos sociais para a manter a rotina do consumo. Por outro lado são os que conseguiram o maior tempo de abstinência (figura 2).

Figura 2: Relevância do consumo verificada entre os usuários de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes. SCORE: 0 - 3 ("NENHUM EFEITO", "LEVE", "MODERADO", "SEVERO OU INTENSO")

 
Síndrome de abstinência
Indubitavelmente nenhuma síndrome de abstinência se compara ao álcool quanto a quantidade e a intensidade da sintomatologia clínica e psíquica. Os inalantes são os que produzem os sintomas mais brancos, eminentemente psíquicos e relacionados a alterações do humor e fissura (figura 3).

Figura 3: Sintomas de abstinência em usuários de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes. SCORE: 0 - 3 ("NENHUM EFEITO", "LEVE", "MODERADO", "SEVERO OU INTENSO") )


Sintomas psíquicos da abstinência
Os inalantes produzem sintomas psíquicos de intensidade considerável, quase equivalente ao álcool, menor que as metanfetaminas. A nicotina produz sintomas menos intensos do que os três (figura 4).

Figura 4: Sintomas psíquicos do consumo de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes. SCORE: 0 - 3 ("NENHUM EFEITO", "LEVE", "MODERADO", "SEVERO OU INTENSO")

 
Sintomas físicos da abstinência
Os inalantes produzem sintomas físicos de abstinência discretos, inferiores aos do álcool e superiores ao dos dois estimulantes (figura 5).

Figura 5: Sintomas físicos de abstinência do consumo de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes. SCORE: 0 - 3 ("NENHUM EFEITO", "LEVE", "MODERADO", "SEVERO OU INTENSO")


 
Figura 6: Repercussões sociais do consumo entre usuários de nicotina, álcool, metanfetamina e inalantes. SCORE: 0 - 3 ("NENHUM EFEITO", "LEVE", "MODERADO", "SEVERO OU INTENSO")
COMPLICAÇÕES SOCIAIS DO USO
Obrigações sociais
Eis um campo onde os inalantes figuram entre os piores índices. Seus usuários parecem refratários às repercussões prejudiciais ao seu status social, com mais facilidade privilegiam o consumo aos compromissos, têm mais problemas legais (são também os mais excluídos) e se sentem menos propensos a reduzir ao consumo frente a um problema de saúde (por exemplo, uma pneumonia) (figura 6).


Complicações psíquicas do uso crônico

Os inalantes mostram-se capazes de induzir quadros de natureza esquizofreniforme, com ênfase para as alucinações e delírios.
 
Complicações clínicas do uso crônico
Os inalantes mostram-se capazes de provocar sintomas autonômicos leves (tonturas, dor de cabeça) e problemas digestivos (náusea e diminuição do apetite).

Apesar da amostra limitada e proveniente de um único serviço, o que dificulta generalizações, o presente artigo foi capaz de demonstrar o papel das diferentes substâncias na gravidade da dependência e na característica da mesma. Algo ainda pouco explorado entre os inalantes.


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