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A Organização Mundial da Saúde (OMS)
Parte II: Como vai a OMS nos dias de hoje?
What´s going on on at the World Health Organization?

Special Report by Michael McCarthy
The Lancet 2002; 360: 1108-11


A Organização Mundial da Saúde (OMS), fundada em 7 de abril de 1948, é a agência das Nações Unidas (ONU) especializada nas questões globais e regionais de saúde. Sua Constituição (http://www.who.int/ism/mis/WHO-policy/index.en.html) coloca como objetivo da agência prover a todos os povos o mais alto nível de saúde.

Quadro 1: O conceito de saúde da OMS

"Um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença."


A agência é governada pelos 192 países membros da ONU por meio da Assembléia Mundial da Saúde (World Health Assembly). A Assembléia aprova o programa bienal da OMS e decide acerca das questões de saúde correntes.

O cargo máximo da OMS (Diretoria-Geral) é ocupado desde 1998 pela ex-Primeira Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. Segundo a reportagem da Lancet, Brundtland assumiu uma agência extremamente burocratizada e esclerosada, tida por alguns como "o lugar onde as boas idéias morrem". Seu mandato foi marcado pela tentativa de transformar as ações da OMS mais focalizadas, transparentes e contabilizadas. "Ela colocou a saúde de volta ao mapa", afirma Kelly Lee, da Escola de Saúde e Medicina Tropical de Londres. O mandato de Brundtland acabará em 2003 e a diretora-geral já afirmou que não concorrerá a uma segunda eleição.

A OMS atua em três grandes áreas: [1] provê informação estatística sobre saúde e suas tendências, colabora no desenvolvimento de novos métodos diagnósticos, preventivos e de tratamento e formula padronizações, manuais e diretrizes; [2] promove esforços para o controle das doenças transmissíveis e não-transmissíveis (por exemplo, vacinações em massa) e [3] proporciona suporte para o desenvolvimento de serviços e políticas de saúde.

Durante o mandato de Burdtland (1998-2002) os esforços da OMS enfatizaram áreas onde o custo-benefício das intervenções era nitidamente possível (quadro 2).

Quadro 2: Principais ações da OMS no quadriênio 1998-2002

  • Malária, tuberculose & AIDS
  • Câncer, doenças cardiovasculares e diabetes
  • Tabaco
  • Saúde maternal
  • Segurança alimentar
  • Saúde mental
  • Controle do sangue
  • Sistemas de saúde
  • Reformas na organização da OMS

As escolhas foram pautadas pelo impacto desses problemas na população mundial. Para se ter uma idéia, há trezentos milhões de novos casos de malária anualmente, dois quais um milhão morrem. Já a tuberculose atinge hoje um terço da população mundial e voltou a aparecer com mais freqüência após o advento da AIDS. O câncer e as doenças cardiovasculares são passíveis de prevenção a partir de mudanças do estilo de vida, entre as quais está o tabagismo. Cerca de duzentas e dez milhões de mulheres engravidam anualmente, das quais quinhentas mil morrem devido a complicações durante o curso desta. Alimentos fora dos padrões de produção e comercialização são consumidos por 30% da população de países industrializados.

A OMS prepara-se agora para definir novas prioridades. Segundo os especialistas ouvidos pela Lancet, a OMS necessita incluir em seus quadros profissionais capazes de implementar políticas de saúde, e não apenas informar e padronizar políticas. Há também questões com o setor privado, no qual se destaca a indústria farmacêutica. Atualmente a indústria farmacêutica participa de ações com a OMS fornecendo know-how na produção de vacinas e doando equipamentos de saúde. Apesar de haver boas parcerias possíveis, há críticas acerca da atuação desta. Segundo Ellen´t Hoen (Médicos sem Fronteira, Londres), tal indústria vem sistematicamente impedindo ações da OMS, como a elaboração de uma lista de medicamentos essenciais. Desse modo, dever haver uma constante preocupação com a independência da instituição.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), na opinião de Nils Daulaire, Presidente do Conselho Global de Saúde (CEO), formado por organizações, fundações e agências não-governamentais, a atenção e o papel da OMS deve se voltar para identificação e análise das questões-chave da saúde mundial, na identificação de abordagens claramente efetivas e servir como um advogado da Saúde.

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