31/08/2008
Vício virou questão de saúde pública
Estudos apontam que quanto mais cedo se inicia o uso, piores são as conseqüências
Há seis anos o atendimento aos usuários e dependentes de álcool e outras drogas sofreu algumas alterações, visto que o problema passou a ser encarado como uma questão de saúde pública. Na mesma época foi instituído o "Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada a Usuários de Álcool e outras drogas", bem como a criação dos CAPS. Em 2001, o 1º levantamento domiciliar sobre o uso de substâncias psicoativas no Brasil, já apontou o aumento no número de crianças e adolescentes usuários.
Os estudos do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID (que realizou o levantamento) afirmam que esta parcela da população está mais exposta ao uso destas substâncias e quanto mais precoce o início, piores são as conseqüências. "Tendo em vista ser uma pessoa em desenvolvimento, não tendo maturidade nem física e nem psíquica para lidar com os efeitos adversos do uso de tais produtos, buscando inicialmente, no geral, como fonte de prazer ou alívio de algum mal estar/problema", disse a professora doutora em Serviço Social, Lúcia Cristina dos Santos, durante um congresso que ocorreu recentemente em Teresina.
Em 2003, a professora participou de uma pesquisa com o tema "Fatores de Risco para o Uso do Álcool e outras Drogas na Adolescência", já que é nesta fase que começa o uso de drogas. A pesquisa foi realizada com 198 pessoas que estavam em tratamento, sendo que 96% eram do sexo masculino. A explicação, segundo a pesquisadora, é a distorção da masculinidade, que muitos associam ao consumo de álcool e de cigarro.
"Muitos pais ainda não têm a concepção da gravidade do álcool e costumam manifestar preocupação somente diante das drogas consideradas ilícitas. Quando vêem os filhos usando substâncias como o álcool e cigarro acham é um sinal de virilidade, que os filhos estão passando a ser homens de verdade, o que é um ato incorreto porque vai acarretar conseqüências a longo prazo", disse Lúcia Cristina dos Santos.
Fonte: Diário do Povo