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19/09/2008
País está sem política sobre as drogas

CANDELÁRIA > PSIQUIATRA FEZ ALERTA ONTEM DURANTE SEMINÁRIO EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Ao mesmo tempo em que cresce o número de usuários de álcool e outras drogas, o País ainda não possui políticas públicas para enfrentar o problema. Conforme a psiquiatra Ana Cecília Marques, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras drogas, nas questões relacionadas ao álcool hoje quem manda são as indústrias. Já na área do fumo, há um pouco mais de orientação devido à Convenção-Quadro de Controle do Tabaco, da Organização Mundial de Saúde, da qual o Brasil é signatário. A lei que proíbe o consumo em ambientes fechados faz parte destas medidas. Nas outras substâncias, conforme a psiquiatra, não existe qualquer política e quem manda é o tráfico.

Trezentas pessoas procedentes de 27 municípios gaúchos participaram ontem das discussões sobre os problemas e formas de prevenção durante o 5º Seminário em Dependência Química – Álcool e Outras Drogas, em Candelária. A promoção foi da Unidade de Recuperação de Dependência Química (URDQ), que funciona junto à Sociedade Beneficente Hospital Candelária (SBHC). A psiquiatra disse que hoje quem banca as políticas é a comunidade. “O Brasil é muito grande e jovem e os gestores não estão atualizados”, explica.

A pesquisadora afirma que o problema é multifatorial e envolve a saúde pública. Entre as maiores causas para o aumento de usuários, a psiquiatra cita fatores culturais, fácil acesso, moda, vulnerabilidade, stress, dieta errada, má qualidade de vida, entre outras. Ela defende a implantação de políticas municipais, lembrando que cada região possui as suas peculiaridades. Ana Cecília diz que hoje é mais barata e efetiva a prevenção para evitar o crescimento no número de usuários.

AVANÇO DO CRACK

A assistente social e coordenadora da Unidade de Recuperação de Dependência Química (URDQ), Fernanda Pires Schoenfeldt, afirma que até há pouco tempo os dependentes de álcool eram maioria entre os pacientes atendidos no hospital. As estatísticas mostram que hoje eles representam 50%. Mas a maior preocupação é com o crescimento dos usuários de crack, que totalizam 35% dos atendimentos na unidade. Os demais são de consumidores de maconha e outras medicações e substâncias.

Os usários de crack, conforme Fernanda, estão entre os pacientes com maior dificuldade de tratamento devido aos prejuízos mais presentes, tanto físicos como psíquicos e até sociais. Afirma que a comunidade vivencia a questão, principalmente pelo número de ocorrências policiais, e o Judiciário se mostra atento devido aos processos decorrentes. A assistente social explica que o hospital é um serviço que atende a demanda, mas há necessidade do envolvimento de outros setores, como as secretarias municipais de Educação e de Saúde.

A coordenadora da URDQ ressalta a necessidade de envolvimento desde a infância com a prevenção. “Não adianta só tratar, por isso o seminário trata da questão da prevenção, com o envolvimento da comunidade”, explica. Ela defende a formação de uma rede de atenção, reunindo técnicos, professores e outras pessoas. “Todos estes profissionais encontram no cotidiano algum caso e precisam estar capacitados para o trabalho”, diz a assistente social.

Otto Tesche
otto@gazetadosul.com.br
http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=102033&intIdEdicao=1579

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