O Prof.
Dr. Arthur Guerra de Andrade fala ao site "Álcool e Drogas
sem Distorção" sobre a questão das drogas na atualidade, considerando
aspectos como tratamento, prevenção, a polítca de drogas no Brasil
e a violência.
Entrevista com Dr. Arthur Guerra de Andrade Médico psiquiatra, Professor e Consultor do Programa de Álcool e Drogas (PAD)
Entrevista publicada em 06/05/2003
Como o senhor vê a questão
das drogas no Brasil?
O Brasil enfrenta essa questão com a mesma preocupação
de todos os países do mundo. Aqui, como nos outros paises,
o uso de drogas é cada vez maior, com o início cada vez mais precoce,
com ainda poucas ações efetivas na prevenção
e com grandes dificuldades no controle, especialmente no tráfico
de drogas. Por esse motivo, o Brasil lançou, há 2
anos, sua Política Nacional Antidrogas, visando otimizar
as ações desse grave problema da nossa sociedade.
E no resto do mundo?
O mundo todo, com exceção aos países muçulmanos,
caminha para enfrentar essa questão com armas diferentes.
Como não há uma ação que traga resultados
positivos em nível macro, isto é, não há
um programa único de prevenção, ou de tratamento
ou de repressão que possa ser considerado modelo para os
demais, cada país têm buscado, com seus próprios
recursos, formas particulares para administrar essa situação.
Cada vez mais tem-se discutido sobre a descriminalização
ou despenalização do usuário de drogas, mas
não do traficante.
Na sua opinião como o governo federal,
estadual e municipal têm agido no enfrentamento dessa questão?
A integração entre esses três níveis
de governo não tem sido feliz. Pelo próprio modelo
governamental, as autonomias entre as unidades da Federação,
favorecem o desenvolvimento de políticas públicas
não integrativas, tanto nas áreas de prevenção
(especialmente educação e informação),
tratamento, como na repressão. Exemplo disso é a escolha
da política de Redução de Danos como a política
para enfrentar o problema, como afirma o Ministério da Saúde.
Essa política, de sucesso na área da DST-AIDS e de
reconhecida capacidade para os casos crônicos, graves, especialmente
os usuários de drogas injetáveis, é bastante
limitada para os casos clínicos mais comuns, mais prevalentes,
no campo das drogas, visto que a abstinência e o não
uso de drogas são propostas bastante consideradas, nos casos
inciais.
O senhor considera que existe relação
entre o consumo de drogas e a violência?
Diretamente não. Isto é, o fato de uma pessoa usar
drogas, per se, não a tornará mais violenta. Porém,
a droga muitas vezes auxilia a desvendar comportamentos agressivos
de pessoas que conseguem, de forma geral, controlá-los. É
como se houvesse uma censura, um auto-controle, uma porta fechada
para esse comportamento agressivo. A droga vem e abre essa porta.
Em linhas gerais, quais as estratégias
fundamentais que compõem uma política de drogas racional
e abrangente?
O ponto nuclear de uma política de drogas é a consulta que a sociedade,
através dos seus diversos fóruns, recebe e que é a base da formulação
de ações tanto na prevenção, como no tratamento e na repressão.
Com essa base, a política vai checar quais os recursos disponíveis
para a execução dessas ações, por exemplo,
recursos humanos, técnicos, motivacionais, de estratégia
e recursos fianceiros. |