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Entrevista
  Entrevista com
Paulo Augusto Heise
Presidente da Associação Parceria Contra as Drogas


Entrevista publicada em 26/04/2004
 
O Sr. poderia fazer um breve histórico da Associação Parceria Contra as Drogas (APCD)?

A APCD foi criada em 21/12/95 por um grupo de publicitários e empresários com o objetivo de veicular Campanhas Preventivas e Educativas Contra o Uso de Drogas Ilícitas. Já criamos e veiculamos mais de 55 filmes para a televisão, permanecemos no ar,ininterruptamente, desde 1996.


A mídia é considerada um poderoso instrumento para incentivar o consumo de drogas. De que maneira as campanhas divulgadas pela APCD contribuem para a abordar ou amenizar este problema?

Felizmente, a mídia não incentiva o consumo de drogas. O maior incentivo vem da pressão dos grupos de amigos nas escolas, nos clubes e nos bailes do bairro. Os traficantes sabem usar muito bem as fraquezas da malha social para empurrar seus produtos. Usam crianças para entregar e vigiar, sabendo poder contar com a sua impunidade, e têm o dinheiro para corromper quando necessário. As campanhas da Parceria procuram fortalecer os jovens para que consigam resistir as tentações inerentes ao negócio. Procuram ainda municiar os pais e educadores com argumentos que podem ser usados na educação dos seus jovens.


Por que motivo a missão da Associação é a divulgação de campanhas educativas somente contra o uso de drogas ilícitas?

A Parceria está fundamentalmente apoiada nos espaços oferecidos gratuitamente pela mídia. A mesma mídia que vende espaços para os fabricantes de bebidas alcólicas e tabaco. Nenhum espaço é comprado pela Parceria. Através do guia "Crescendo Sem Drogas", uma revista que pretende rever preceitos básicos da educação de filhos, temos nos referido também à essas drogas ainda lícitas.


O Sr. considera importante prevenir e educar os jovens sobre os riscos do consumo de drogas lícitas como álcool e tabaco? Qual seria uma abordagem interessante?

Reconhecemos que o álcool é a droga mais perniciosa e verdadeira porta de entrada para as outras drogas. Entretanto, por não se enquadrar no escopo do nosso trabalho, e por serem baixas (ou nenhuma) as chances de contarmos com a adesão da mídia, reunimos muito pouco conhecimento sobre essa questão.


Algumas pessoas criticam as campanhas - "O tráfico é dependente de você" e "Quem usa drogas financia a violência" - pois consideram que o dependente químico é discriminado e a questão da dependência química não é abordada como uma questão de saúde? O que a associação diria a estes críticos?

A campanha da Parceria não pretende e não responsabiliza o usuário pela promoção da violência mas responsabiliza-o por financiar o traficante. Tanto quanto um comerciante desonesto que revenda produtos roubados ou que intercepta mercadoria roubada por outros. Os bandidos só roubam toca-fitas dos nossos carros porque um "jovem" compra, não é verdade?


Qual a posição do Sr. a respeito da descriminalização da maconha?

A Parceria não é favorável à "desculpabilização" do usuário, embora reconheça que a prisão pode ser um remédio ineficaz e até contraproducente. Dificilmente, um jovem ficará melhor porque passou uns dias na cadeia, ao lado de verdadeiros bandidos. Há um texto em nosso site a esse respeito que ilustra melhor esse ponto (www.contradrogas.org.br).


A associação já tem resultados sobre o impacto das campanhas realizadas. O Sr. poderia expor e comentar os resultados?


O resultado da pesquisa realizada pelo IBOPE, alguns meses depois de veicularmos os dois primeiros filmes desta campanha (Violência e drogas estão relacionadas) atesta que o argumento da campanha é correto, no sentido de sensibilizar o jovem para a sua responsabilidade.

Impressionantes 19% da população pesquisada respondeu que conhece alguém, ou sabe de alguém que deixou de usar drogas, depois de se conscientizar da sua responsabilidade (indireta) pela violência. No grupo de jovens entre 19 e 24 anos, o percentual chega a 24%.

O argumento é válido e vamos insistir nele durante a campanha deste ano.
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