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Entrevista
  Entrevista com
Dr. José Antonio Maluf de Carvalho

Coordenador da Unidade Diagnóstica Einstein Jardins

Entrevista publicada em 28/05/2004
 
1. Qual a importância de se prevenir doenças?
Prevenir doenças significa melhor qualidade de vida; prevenir doenças significa, também, maior longevidade. Prevenir quer dizer menor gasto com saúde. Prevenir doenças expressa a possibilidade de modificar o curso natural das doenças, evitando fases de acometimento relevante da saúde e sofrimento. A vacinação é um exemplo simples da prevenção de sérias doenças infecciosas severas.

2. O ditado é antigo: é melhor prevenir do que remediar. Contudo, as pessoas procuram o médico somente quando estão doentes. É possível mudar esta mentalidade?
Por um lado há um desconhecimento do valor das práticas preventivas, que pode ser modificado através de informação e de educação. Por outro lado, as dificuldades cotidianas de gerenciar a própria saúde conduzem-nos a procurar o médico somente quando há uma urgência. Além da informação e da educação, há necessidade da implantação adequada de políticas de saúde que promovam a prevenção. Nesta área vale lembrar o êxito de campanhas anti-tabagismo implantadas em vários países, inclusive no Brasil. Quando me refiro a uma implantação adequada, quero dizer que a campanha deve ser bem formulada e dispor dos recursos necessários para ter sucesso.

3. É comum associarem a imagem do profissional de saúde ao daquele que trata e cura doenças. Em linhas gerais, qual seria a atuação do profissional de saúde na prevenção?
Diferentemente daquele médico que fundamentalmente diagnostica e prescreve, na área da prevenção o papel fundamental do médico está na tríade informação, educação e motivação. Nesta abordagem, o médico modifica a situação passiva do paciente para uma condição de co-participação e co-responsabilidade no gerenciamento da própria saúde. Como exemplo: os hipertensos, que por desconhecimento e desmotivação, em grande parte não se medicam adequadamente e podem sofrer um acidente vascular cerebral ficando com uma qualidade de vida comprometida.

4. De que maneira a qualidade de vida das pessoas afeta a saúde das pessoas?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde não e´somente física, porém é também mental, espiritual e social. Estas quatro vertentes estão intimamente interligadas, de tal forma que a ausência de saúde numa delas prejudica as outras. Qualidade de vida é o equilíbrio entre todas as vertentes. E este equilíbrio é saudável.

5. A Organização Mundial da saúde comemora o Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio), com o objetivo de atrair a atenção do mundo sobre a epidemia e as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao uso de tabaco. Quais as recomendações e estratégias necessárias para que profissionais de saúde previnam e tratem o tabagismo?
Os profissionais da saúde devem atuar assiduamente para promover a cessação do tabagismo: devem informar claramente os malefícios do cigarro; devem promover a instalação crescente de áreas de "clean air"; devem discutir, repetidamente, com seus pacientes a necessidade de interromper o uso de cigarro, ajudar-lhes a gerar habilidades para superar as fissuras e a encontrar a motivação necessária para modificar seu estilo de vida com relação ao cigarro.
Além disto, os médicos devem prescrever as medicações consideradas como as mais eficazes para cessar o tabagismo.

6. Como o profissional de saúde pode motivar um paciente resistente a parar de fumar?
Inicialmente é preciso saber se está na agenda do paciente concentrar esforços em parar de fumar; sendo possível ao cliente focar-se nesse desafio, deve ser informado dos benefícios que terá parando de fumar. Caso o cliente esteja resistente em parar de fumar, contrapor a condição atual de fumante com a futura sem cigarro, cria uma dissonância cognitiva que é útil na terapêutica. O paciente pode se motivar a parar de fumar ao perceber os ganhos que terá na melhoria de sua saúde e qualidade de vida.

É interessante também mensurar a vontade e a motivação em parar de fumar e adequar um plano de ação com as possibilidades reais do paciente, fazendo-o então co-partícipe do processo de tratamento e da decisão mais importante que ele terá tomado na sua vida, que é parar de fumar.
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