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Figura 1:
O consumo de cocaína durante a gestação
tem preocupado tanto os cientistas
quanto a mídia leiga. O Journal
of the American Medical Association
(JAMA) dedicou ao tema um editorial
e um artigo original em sua edição
de 17 de abril de 2002. Já a revista
Isto é, publicou uma reportagem
de capa em sua edição de 07 de julho
de 2000.
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Consumo de cocaína
durante a gestação
O consumo de cocaína durante a gestação vem
chamando a atenção da mídia e dos pesquisadores
nos últimos anos (Figura 1). Desde o ressurgimento
do consumo de cocaína no Ocidente, a partir dos
anos 80, a questão vem sendo tratada. No entanto,
apenas a partir dos anos noventa que os casos
puderam ser analisados com mais propriedade. A
cocaína é capaz de trazer problemas ao andamento
da gestação e ao desenvolvimento do feto1-4.
Anomalias ou malformações causadas pela ação cocaína
durante a gestação (teratogenias) também já foram
detectadas entre gestantes-usuárias5.
Isso mostra que a cocaína tem uma ação tóxica
direta sobre o desenvolvimento fetal.
Mecanismo de ação
da cocaína sobre a gestação e o feto
O principal mecanismo pelo qual a cocaína modifica
o andamento da gestação e o desenvolvimento de
feto é sua ação sobre a circulação6
(Figura 2). A cocaína atua no sistema nervoso
central estimulando o sistema noradrenérgico.
A ativação deste sistema, além de outras coisas,
aumenta a freqüência cardíaca e contrai os vasos
sangüíneos (vasoconstricção). Devido à vasoconstricção
há uma redução da chegada de oxigênio e nutrientes
para a placenta e por conseguinte, para o feto.
Neonatos expostos à cocaína durante a gestação
apresentam maior incidência de prejuízos ao
crescimento fetal e baixo peso ao nascer7.
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| Figura 2: A
ação da cocaína sobre a gestação e o
feto. A cocaína atua sobre a secreção
de noradrenalina, um neurotransmissor
que provoca a contração dos vasos. Isso
diminui a chegada de sangue rico em
oxigênio e nutrientes à placenta e por
conseguinte, ao feto. A noradrenalina
também estimula a contração uterina.
Para o feto, desprovido do oxigênio
e dos alimentos necessários ao seu desenvolvimento,
pode trazer prejuízos ao seu crescimento
dentro do útero. As contrações uterinas
e a redução de sangue na placenta, podem
levar ao seu descolamento ou ruptura.
A cocaína também atravessa a barreira
placentária e atinge diretamente o feto.
Isso pode levar à redução de oxigênio
(hipóxia) no cérebro do feto, causando
lesões secundárias à falta deste (lesões
isquêmicas) ou prejuízos ao seu desenvolvimento.
O aumento da pressão arterial dentro
do cérebro pode causar hemorragias nesse
órgão. FONTE: Retirada e adaptada de
Volpe JJ. Effect of cocaine use on
the fetus. N Engl J Med 1992; 327: 1039. |
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A cocaína atravessa a barreira placentária (Figura
2). Desse modo, age diretamente sobre o sistema
nervoso fetal. Ela provoca neste, reações semelhantes
às produzidas na mãe. Além disso, a ação direta
da cocaína sobre o feto parece provocar anomalias
em alguns recém-nascidos (quadro 1). Parece
não existir, no entanto, uma síndrome característica,
como ocorre entre os neonatos expostos ao álcool
(síndrome alcoólica fetal). Além disso, tais alterações
são raras e relacionadas a outros fatores de riscos
maternos8.
Síndrome de abstinência fetal
A existência de uma síndrome de abstinência fetal
à cocaína permanece inconclusiva. Os estudos mais
relevantes até o momento parecem rechaçar a existência
de efeitos devastadores nos primeiros anos de vida
da criança7,9. Eles atribuem as alterações
encontradas à intoxicação aguda, mas não à presença
de sintomas de abstinência. Isso porque as diferenças
observadas entre crianças expostas e não-expostas
estão presentes discretamente nos primeiros dois
dias e desaparecem completamente daí em diante9.
Há necessidade de mais estudos sobre o assunto.
Prejuízos
ao desenvolvimento neuropsicomotor
O consumo de cocaína parece não trazer prejuízos
ao desenvolvimento motor do recém-nascido10.
Os prejuízos se concentram nas funções cognitivas.
Estudos com crianças na faixa etária dos 2 aos
7 anos demonstraram problemas para manter o foco
da atenção11, bem como na atenção seletiva10.
Houve ainda, relatos de deficiência mental leve
e prejuízos da memória e do aprendizado10.
As alterações cognitivas foram mais evidentes
entre as gestantes que fizeram uso combinado de
álcool ou de outras drogas11.
Os achados atuais apontam para o baixo peso ao
nascer como a principal complicação envolvendo
o consumo de cocaína durante a gestação. Quanto
às alterações cognitivas detectadas, outros fatores
de risco, tais como gravidade do consumo, período
da gestação de maior uso, nível sócio-econômico,
cuidados durante a gravidez e uso associado de
outras drogas precisam ser considerados.
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