Consumo de maconha durante a gestação
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| Quadro
1: Polêmicas atuais em torno da
maconha |
- Aumento do consumo entre os
adolescentes
- A possibilidade do uso medicinal
- O surgimento de apresentações
mais potentes
- Dependência de maconha |
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A maconha é a substância ilícita mais consumida
pelas mulheres em idade gestacional1.
Utilizada secularmente em algumas culturas orientais,
começou a ganhar popularidade na Europa a partir
do século XVI. Alvo de constantes polêmicas ao longo
dos séculos, o consumo da maconha sempre alternou
períodos de maior e menor aceitação. Nos últimos
tempos, em virtude de novas polêmicas1
(quadro 1), a substância voltou a ser bastante
estudada.
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Figura 1: O
consumo feminino de maconha ao longo
dos tempos. As três primeiras gravuras
[da esquerda para a direita]
ilustram o consumo da planta na Ásia,
na Índia e na França. A última figura,
mostra a capa de uma novela (Marihuana
Girl), onde os aspectos negativos
do consumo encontram-se ressaltados,
ainda que do ponto de vista moral.
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Ainda preso a discussões apaixonadas, por vezes
baseadas em dogmas ou tabus, o consumo de maconha
carece ainda de mais e melhores estudos, para que
o tema possa receber a importância que merece. O
consumo de maconha durante a gestação enfrenta o
mesmo problema. Os estudos são recentes e as conclusões,
incompletas. Além disso, boa parte destes é retrospectiva
(baseada em informações de prontuários ou entrevistas
com a gestante após o final da gestação), o que
tornam imprecisas informações importantes, tais
como a dose consumida, o período da gestação em
que o consumo se deu, a presença de outros fatores
(além da maconha) que poderiam causar danos semelhantes
aos encontrados.
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| Figura 2: O
consumo de maconha na gestação. A substância
parece não causar malformações ou alterações
do peso e tamanho ao nascimento. Complicações
cognitivas, comportamentais e de conduta,
no entanto, já foram relatadas e parecem
ser os principais problemas entre os
indivíduos expostos à substância durante
a gravidez. |
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Alguns estudos afirmam que a maconha
parece não possuir ação teratogênica2-4,
isto é, não causa malformações à constituição
física do feto. Parece também, não afetar significativamente
o andamento da gestação2. Estudos demonstram
que a maconha é capaz de aumentar a freqüência
e a intensidade das contrações uterinas1.
Esse aumento, no entanto, parece não está associado
ao trabalho de parto prematuro. O princípio ativo
da maconha (delta-9-THC) mostrou-se capaz de diminuir
a concentração sanguínea de hormônio luteinizante
(LH) e de prolactina, sem ação sobre o hormônio
folículo-estimulante (FSH), em estudos animais5.
Isso gerou um aumento do tempo da gestação e aumento
dos índices de natimortos. A repercussão disso
em seres humanos, no entanto, é desconhecida e
parece não ser observada na prática clínica.
A redução de peso e tamanho ao nascer foi detectada
por alguns estudos1,3. Tal diferença,
no entanto, parece desaparecer até o final do primeiro
ano de vida1. Nas primeiras semanas de
vida, os achados são divergentes. Há aqueles que
detectaram sintomas neurológicos nos primeiros dias
de vida (tremores, espasmos espontâneos e dificuldades
de sucção quando amamentados)1 e outros
que não encontraram qualquer diferença, mesmo entre
usuárias pesadas4.
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Figura 3: Maternidade
– Angelina e o menino Diego.
Diego Rivera (1916).
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O maior problema para os recém-nascidos expostos
à maconha durante a gestação refere-se aos processos
cognitivos superiores (atenção, memória, raciocínio,...)1,6-8.
Como a estruturação destes continua se desenvolver
até a puberdade, essas alterações são detectadas
tardiamente. Parece haver alterações relacionadas
à estabilidade da atenção e prejuízos na aquisição
de informações de natureza não-verbal. Isso parece
não afetar a inteligência global. Porém, repercutem
de maneira negativa sobre os processos relacionados
ao planejamento e a avaliação das respostas captadas
do ambiente externo. Há, ainda, relatos de impulsividade,
hiperatividade e distúrbios de conduta entre esses
indivíduos.
Claro que a substância não deve
ser o único foco desta análise. O modo como a
mãe participa do desenvolvimento da criança, as
condições nutricionais do recém-nascido, o ambiente
de convívio, a dose utilizada durante a gestação
e o período da gestação em que tal uso se deu
de maneira mais pronunciada, são alguns exemplos
de fatores capazes de proteger ou comprometer
o desenvolvimento infantil. Infelizmente, ainda
não há estudos consistentes acerca de tais fatores
de risco. Além disso, as conseqüências do aparecimento
de apresentações de maconha mais potentes também
permanecem obscuras e podem representar complicações
ainda desconhecidas dos cientistas.
De qualquer maneira, a maconha parece interferir
de algum modo sobre o desenvolvimento do psiquismo
infantil, podendo causar prejuízos em alguns casos.
Para muitos profissionais e leigos, a droga não
representa um grande perigo, sendo, por isso,
muitas vezes tolerada ou pouco investigada. A
detecção precoce do consumo (tanto por médicos,
quanto por pessoas do cotidiano da gestante) e
a abordagem do tema sem moralismos ("olha o que
você está fazendo com seu filho!"), de uma maneira
clara e objetiva, buscando acima de tudo a motivação
para a mudança, é muito importante para a prevenção
de complicações futuras. Evitar o que ainda é
pouco conhecido, mas potencialmente danoso, é
ainda o melhor tratamento.
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Referências
bibliográficas:
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