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| Conceito de Dependência
Química |
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| FIGURA 1: As complicações
agudas e crônicas potencialmente presentes
no consumo de substâncias psicoativas
são conhecidas há muito pela
humanidade. Acima, inscrições
egípcias de cerca de 2100 a.C., onde
homens embriagados são retirados do
banquete que participavam. Mas esse desenho
não nos permite dizer se tal embriaguez
ocorreu num ambiente de mera diversão
ocasional, se estava associada a outras complicações
(acidentes, brigas, danos à saúde)
ou se era regra, sempre que esses dois bebiam. |
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Apesar de existir uma enorme variedade de explicações
teóricas para as causas da dependência de
álcool, nicotina e outras drogas, há um
conceito unânime: dependência é
uma relação alterada entre um indivíduo
e seu modo de consumir uma substância. Essa
relação alterada é capaz de trazer
problemas para o seu usuário. Muitos indivíduos,
porém, não apresentam problemas relacionados
ao seu consumo. Outros apresentam problemas, mas não
podem ser considerados dependentes. Por último,
mesmo entre os dependentes, há diferentes níveis
de gravidade.
Não é preciso
ser dependente para ter problemas
Portanto, buscar um conceito sobre dependência a
substâncias psicoativas não se completa pela
constatação de sua presença ou ausência.
Mais do que saber se ela está lá, é
preciso identificar e determinar seu grau de desenvolvimento.
Além disso, é preciso entender como os sintomas
observados são moldados pela personalidade dos
indivíduos e pelas influências sócio-culturais.
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| FIGURA 2: Não basta
constatar o consumo: é preciso determinar
o seu nível de gravidade e identificar
os fatores desencadeantes e mantenedores do
uso. |
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| FIGURA 3: A pirâmide
mostra dois aspectos importantes. Em primeiro
que os padrões de consumo são
incontáveis e variam ao longo de uma
linha contínua. Quanto mais intenso
o consumo, maiores serão os problemas.
Em segundo, conforme aumenta a quantidade
de substâncias consumidas, diminui o
número de indivíduos envolvidos. |
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O conceito atual dos transtornos relacionados ao uso de
álcool e outras drogas rejeitou a idéia
da existência apenas do dependente e do não-dependente.
Existem, ao invés disso, padrões individuais
de consumo que variam de intensidade e gravidade ao longo
de uma linha contínua (figura 3).
Não existe um consumo absolutamente isento de riscos
(figura 4). Quando este é comedido e cercado
de precauções preventivas, é denominado
consumo de baixo risco. Quando o indivíduo apresenta
problemas sociais (brigas, faltas no emprego), físicos
(acidentes) e psicológicos (heteroagressividade)
relacionados estritamente àquele episódio
de consumo, diz-se que tais indivíduos fazem uso
nocivo da substância. Por fim, quando o consumo
se mostra compulsivo e destinado à evitação
de sintomas de abstinência e cuja intensidade é
capaz de ocasionar problemas sociais, físicos e
ou psicológicos, fala-se em dependência.
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| FIGURA 4: Qualquer forma
de consumo pode trazer riscos. Ainda assim,
quanto mais intenso o uso, maiores as chances
de problemas relacionados. Os quadros acima
apresentam, em sentido horário, o consumo
de baixo risco, o uso nocivo e a dependência.
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Critérios diagnósticos
de uso nocivo
Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), uso nocivo é "um padrão de uso
de substâncias psicoativas que está causando
dano à saúde", podendo ser esse de
natureza física ou mental (quadro 1). A
intoxicação aguda ou 'ressaca', dependendo
de sua intensidade, por si só, não é
considerada dano à saúde. A presença
da síndrome de abstinência ou de transtornos
mentais relacionados ao consumo (p.e. demência alcoólica)
exclui esse diagnóstico.
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| Quadro 1 - Critérios
do CID-10 para uso nocivo (abuso) de substância
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O diagnóstico
requer que um dano real deva ter sido causado
à saúde física e mental
do usuário.
Padrões nocivos de uso são freqüentemente
criticados por outras pessoas e estão
associados a conseqüências sociais
diversas de vários tipos. O fato de
um padrão de uso ou uma substância
em particular não seja aprovado por
outra pessoa, pela cultura ou possa ter levado
a conseqüências socialmente negativas,
tais como prisão ou brigas conjugais,
não é por si mesmo evidência
de uso nocivo.
A intoxicação aguda ou a "ressaca"
não é por si mesma evidência
suficiente do dano à saúde requerido
para codificar uso nocivo.
O uso nocivo não deve ser diagnosticado
se a síndrome de dependência,
um transtorno psicótico ou outra forma
específica de transtorno relacionado
ao uso de drogas ou álcool está
presente. |
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| FIGURA 5: Indivíduos
que fazem uso nocivo não desenvolveram
síndrome de abstinência, tampouco
tem um padrão diário de consumo,
visando a evitar sintomas de mal-estar e desconforto.
No entanto, quando usam drogas se comprometem
socialmente (acidentes automobilísticos
ou de trabalho, brigas, faltas no emprego
ou escola no dia seguinte). |
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Critérios diagnósticos
da dependência
A dependência possui sinais e sintomas específicos.
Portanto não se fala em intuição,
tampouco em achismos quando se identifica alguém
com problemas de dependência. De modo geral, há
alguma perda do controle sobre o uso, associado com sintomas
de abstinência e tolerância. Para evitar o
surgimento de tais sintomas, os usuários passam
a consumir a substância constantemente e a privilegiar
o consumo a outras coisas que antes valorizava. Os sinais
e sintomas da dependência serão discutidos
de maneira mais detalhada nesta mesma sessão (Dependência),
dentro do texto Sinais
e sintomas da dependência química (quadro
2).
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| Quadro
2 - Critérios diagnósticos
da dependência de substâncias
psicoativas |
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Compulsão para o consumo |
A experiência de um desejo incontrolável
de consumir uma substância. O
indivíduo imagina-se incapaz
de colocar barreiras a tal desejo e
sempre acaba consumindo. |
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Aumento da tolerância |
A necessidade de doses crescentes de
uma determinada substância psicoativa
para alcançar efeitos originalmente
obtidos com doses mais baixas. |
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Síndrome de abstinência |
O surgimento de sinais e sintomas de
intensidade variável quando o
consumo de substância psicoativa
cessou ou foi reduzido. |
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Alívio ou evitação
da abstinência pelo aumento do
consumo |
O consumo de substâncias psicoativas
visando ao alívio dos sintomas
de abstinência. Como o indivíduo
aprende a detectar os intervalos que
separam a manifestação
de tais sintomas, passa a consumir a
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