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| Álcool |
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O álcool é a
substância química mais utilizada pela humanidade.
Está presente na maioria das festas e rituais religiosos.
Quase todos os países do mundo, onde o consumo é
aceito, possuem uma bebida típica da qual se orgulham.
FIGURA 1: Há uma grande variedade
de bebidas alcoólicas espalhadas pelo mundo, fazendo
do álcool a substância psicoativa mais popular
do planeta. |
Apresentações e modo de
uso
Substância lícita que possui uma variedade incontável de bebidas ao redor do mundo, obtidas por fermentação ou destilação da glicose presente em cereais, raízes e frutas. É consumido exclusivamente por via oral. O consumo de álcool é medido por doses. Uma dose equivale a 14 gramas de álcool. Para obter as doses-equivalentes de uma determinada bebida, é preciso multiplicar a quantidade da mesma por sua concentração alcoólica. Tem-se, assim, a quantidade absoluta de álcool da bebida. Em seguida, é feita a conversão: 1 dose para cada 14g de álcool da bebida (quadro 1).
| De modo geral, considera-se que as mulheres correrão menos riscos de desenvolverem problemas de saúde, aquelas que ingerirem até 7 doses de álcool por semana ou 3 por dia, enquanto os homens poderão ingerir até 14 doses na semana ou 4 no mesmo dia. O cálculo
semanal das unidades de álcool permite a determinar o
uso de baixo risco, uso nocivo e dependência para os homens
e para as mulheres. |
Efeitos agudos
O álcool é um depressor
do cérebro e age diretamente em diversos órgãos,
tais como o fígado, coração, vasos e na
parede do estômago. A intoxicação é
o uso nocivo de substâncias, em quantidades acima do tolerável
para o organismo. Os sinais e sintomas da intoxicação
alcoólica caracterizam-se por níveis crescentes
de depressão do sistema nervoso central. Inicialmente
há sintomas de euforia leve, evoluindo para tonturas,
ataxia e incoordenação motora, confusão
e desorientação e atingindo graus variáveis
de anestesia, entre eles o estupor e o coma. A intensidade da
sintomatologia da intoxicação tem relação
direta com a alcoolemia (quadro 2). O desenvolvimento de tolerância,
a velocidade da ingestão, o consumo de alimentos e alguns
fatores ambientais também são capazes de interferir
nessa relação.
Algumas coisas podem alterar a ação do álcool
no corpo. A presença de alimentos no estômago diminui
a velocidade de absorção. Bebidas frisantes e
licorosas são absorvidas com maior rapidez. |
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| Quadro
2: Níveis plasmáticos de álcool
(mg%) e sintomatologia relacionada |
Alcoolemia
(mg%) |
Quadro
clínico |
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30 |
Euforia
e excitação
Alterações leves da atenção |
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50 |
Incoordenação
motora discreta
Alteração do humor personalidade
e comportamento
Não é permitido dirigir acima
desse nível alcoólico |
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100 |
Incoordenação
motora pronunciada com ataxia
Diminuição da concentração
Piora dos reflexos sensitivos
Piora do humor |
| 200 |
Piora
da ataxia
Náuseas e vômitos |
| 300 |
Disartria
Amnésia
Hipotermia
Anestesia (estágio I) |
| 400 |
Coma
Morte (bloqueio respiratório central) |
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Efeitos
agudos físicos
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Aumento da diurese; |
| # |
Redução dos reflexos motores,
marcha cambaleante; |
| # |
Náuseas e vômitos; |
| # |
Aumento da freqüência e da
pressão sanguínea. |
FIGURA 3: A ação do álcool sobre o psiquismo.
Doses iniciais desencadeiam sintomas de euforia e bem estar,
gerando um clima sociável e receptivo. O aumento do consumo
produz incoordenação motora e marcha cambaleante
(ataxia). Níveis acentuados de consumo levam à
sonolência, sedação e em casos mais graves,
ao coma. |
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Efeitos
crônicos
Síndrome de abstinência - Inicia-se horas após
a interrupção ou diminuição do consumo.
Os tremores de extremidade e lábios são os mais
comuns, associados a náuseas, vômitos, sudorese,
ansiedade e irritabilidade. Casos mais graves evoluem para convulsões
e estados confusionais, com desorientação temporal
e espacial, falsos reconhecimentos e alucinações
auditivas, visuais e táteis (delirium tremens).
FIGURA 4: O consumo intenso de álcool
por longos períodos leva ao aparecimento de sintomas
de abstinência. Casos mais graves evoluem para quadros
confusionais, com desorientação no tempo e espaço,
falsos reconhecimento e alucinações visuais e
auditivas. Isso é denominado delirium tremens.
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Complicações clínicas
O álcool tem ação
tóxica direta sobre diversos órgãos quando
utilizado em doses consideráveis, por um período
de tempo prolongado (quadro 3).
As mais freqüentes são [estômago] as
gastrites e úlceras, [fígado] hepatites
tóxicas, esteatose (acúmulo de gordura nas células
do fígado, decorrente da ação tóxica
do álcool sobre suas membranas), cirrose hepática,
[pâncreas] pancreatites, [sistema nervoso]
lesões cerebrais, demência, anestesia e diminuição
da força muscular nas pernas (neurites), [sistema
circulatório], miocardites, predisposição
ao depósito de placas gordurosas nos vasos, com risco
de infartos, hipertensão e acidentes vasculares cerebrais
(derrames). O álcool aumenta o risco de neoplasias no
trato gastrintestinal, na bexiga, na próstata e outros
órgãos. |
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| Quadro
3: Principais complicações decorrentes
do uso crônico e intenso de álcool |
Sistema
gastro- intestinal |
Hepatopatias
(esteatose e cirrose hepáticas, hepatite)
Pancreatite crônica
Gastrite
Úlcera
Neoplasias (boca, língua, esôfago,
estômago, fígado, ...) |
Sistema
circulatório |
Cardiomiopatias
Hipertensão arterial sistêmica |
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Sangue |
Anemias
(especialmente a anemia megaloblástica)
Diminuição na contagem de leucócitos
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Sistema
nervoso periférico |
Neuropatia
periférica |
Sistema
reprodutor |
Impotência
(homens)
Alterações menstruais e infertilidade
(mulheres) |
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