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Anticolinérgicos
Tipos de anticolinérgicos
Os anticolinérgicos podem ser naturais ou sintéticos. Os anticolinérgicos naturais estão presentes em diversas plantas, espalhadas por todos os continentes do planeta. As plantas da família das solanáceas são as mais conhecidas (quadro 1). Todas elas contêm substâncias anticolinérgicas muito semelhantes à atropina e à escopolamina. Entre essas, a trombeteira ou lírio consumido como chá (chá-de-lírio) é o mais conhecido no meio brasileiro.


FIGURA 1: Trombetas-de-anjo ou lírio.
 

Quadro 1: Plantas das famílias das solanáceas
Nome comum Nome científico
Trombeta de anjo, trombeteira, lírio Brugmansia arbórea, B. sanguinea, B. suaveolens, B. versicolor, B. vulcaniola
Datura, saia-branca Datura innoxia, D. metel, D. stramonium
Beladona Atropa belladonna
Mandrágora Mandragora officinarum
Meimendro negro Hyoscyamus niger

A datura é a solanácea mais difundida e utilizada. No México e América do Sul foi utilizada pelos índios com propósitos sagrados. Relatos de uso da datura com os mesmos fins foram encontrados na Índia, China, África e Oceania.


FIGURA 2: Algumas espécies de daturas.
 

Há ainda três solanáceas consideradas ervas de bruxaria durante a Idade Média, devido à crença de possibilitarem um contato com o sobrenatural e serem afrodisíacas. São elas a mandrágora, a beladona e meimendro negro.


FIGURA 3: A mandrágora, a beladona e o meimendro negro.
 

Os anticolinérgicos sintéticos podem ser encontrados em uma série de medicamentos de venda livre ou controlada. Os mais conhecidos são medicamentos utilizados para o tratamento do mal de Parkinson, como a triexifenidila (Artane®) e o biperideno (Akineton®). Há também a diciclomina (Bentyl®), utilizada no tratamento sintomático das cólicas de estômago e intestino.

Efeitos

Os anticolinérgicos são bem absorvidos por qualquer via de administração. Seus efeitos se instalam rapidamente e duram cerca de 1 a 2 horas. Eles atuam sobre o sistema nervoso autônomo, isto é, o responsável pelos órgãos que funcionam independentemente a nossa vontade. A ação dos anticolinérgicos desencadeia uma série de sintomas clínicos (quadro 2), dentre os quais destacam-se a dilatação das pupilas (midríase), a secura na boca (xerostomia), o aumento dos batimentos cardíacos, a contração dos vasos sanguíneos e o aumento da pressão arterial.

O uso de anticolinérgicos pode levar ao aparecimento de alterações da percepção do tempo e espaço, ilusões visuais e auditivas, e afetivas, variando de quadros marcadamente eufóricos a sensações de mal-estar e pânico.

 
Quadro 2: Sinais de sintomas do uso de anticolinérgicos
Olhos Dilatação da pupila (midríase)
Sistema circulatório Aumento dos batimentos cardíacos e contração dos vasos (branda), elevando a pressão arterial.
Sistema respiratório Aumento da freqüência respiratória e redução da secreção brônquica.
Sistema digestivo Redução das contrações gastro-intentinais, diminuição da secreção gástrica e relaxamento dos esfíncteres.
Pele Bloqueio do suor (sudorese), facilitando assim o aumento da temperatura corporal.


Riscos à saúde
# Pode haver sensação de medo e perda do controle, levando a reações de pânico;
# Presença de sintomas paranóides, isto é, sensação de estar sendo vigiado ou perseguido;
# O consumo pode ocasionar aumento exagerado da temperatura (hipertermia), aumento o risco de convulsões e falência de órgãos;
# O consumo pode desencadear quadros psicóticos permanentes em pessoas predispostas a essas doenças ou desencadear novas crises em indivíduos portadores de doenças psiquiátricas (transtorno bipolar, esquizofrenia).
Página Revisada

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