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18 de Novembro de 2008 Envie suas dúvidas e comentários. Mapa do Site Página Inicial
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História do Tabaco
 
O tabaco e o tabagismo
Um panorama histórico, científico e cultural de um dos hábitos mais difundidos do planeta.


FIGURA 1: O tabagismo ontem e hoje. No início do século XX, associado à inocência e a inofensividade. No início do século XXI ,associado ao desajuste e à doença.

Figura 2: Nicotiana tabacum

 
O consumo de tabaco é um hábito fortemente arraigado ao cotidiano de mais de um terço dos habitantes da Terra. Originário das Américas, foi introduzido na Europa após os Grandes Descobrimentos luso-espanhóis, cultuado durante os séculos XVIII e XIX e rechaçado a partir do século XX. É considerado atualmente maior fator causal das mortes passíveis de prevenção.

Diversas estratégias de prevenção e tratamento vêm sendo estudadas e oferecidas tanto por organismos brasileiros (Programa de Controle do Tabagismo), quanto por organismos internacionais (Tobacco Free Iniciative - Organização Mundial da Saúde). Diversos países do mundo proibiram a veiculação de anúncios na mídia, elevaram os preços do produto e detonaram campanhas de conscientização em massa, tais como Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio) e Por um Mundo sem Tabaco. Além disso, tratamentos para a dependência da nicotina, realizados por equipes multidisciplinares, com abordagens psicológicas e farmacológicas específicas foram desenvolvidos com sucesso na última década.

Ciência & Cultura
O tabaco (Nicotiana tabacum) é uma planta da família das solanáceas (figura 2). A planta contém nicotina, um estimulante do sistema nervoso central. O tabaco é originário das Américas e conhecido há cerca de oito mil anos por praticamente todas as culturas que habitavam o continente antes dos Grandes Descobrimentos.

A partir desse marco, o tabaco se difundiu rapidamente por todos os continentes. Com o início da colonização européia, tornou-se a moeda corrente no tráfico de escravos, espalhando-se rápida e definitivamente pela África. O continente asiático, especialmente Japão, China e Índia, viu o tabaco ser introduzido pelos europeus ao longo do século XVI. A partir de 1600, a planta já fazia parte do cotidiano de diversos povos daquele continente.

FIGURA 3: Dois aparatos para o consumo do tabaco: um narquilê africano (século XVI) e um cachimbo asteca do período pré-colombiano.


A Ciência e o tabaco: século XVI
Os europeus conheceram a planta já na primeira viagem de Cristóvão Colombo (1492) ao Continente Americano. As primeiras publicações científicas sobre o tabaco começaram aparecer a partir do século XVI (figura 4). Nessa época, Jean Nicot (1530 - 1600), então embaixador da França em Portugal, estudou e atribuiu propriedades medicinais à planta, que acabou sendo batizada com seu nome (Nicotiana). Ele indicou o planta para o tratamento da enxaqueca da rainha Catherine de Medici.

FIGURA 4: O tabaco chegou à Europa. À direita a primeira publicação onde a planta apareceu para o meio científico (Gonzalo Fernandez de Oviedo y Valdes. Historia natural y general de las Indias, islas e terra firme del mar oceano. 1535). Trinta e cinco anos mais tarde (1571) já é considerada por Nicolas Monardes uma erva sagrada e uma panacea (à esquerda).
 
FIGURA 5: Foi Jean Nicot quem primeiro atribuiu propriedades medicinais ao tabaco (1559) e emprestou seu nome à planta. À direita, uma marca de cigarro brasileira dos anos sessenta faz alusão ao seu maior difusor.

  FIGURA 6: O tabaco virou moda na corte da Inglaterra após ser introduzido por Sir Walter Raleigh. Na ilustração, um de seus servos, desavisado de seu novo hábito, atira-lhe água com o intuito de apagar aquela estranha fumaça que saía de sua boca.


 
A Ciência e o tabaco: século XVII
O consumo de tabaco durante o século XVII foi médico em sua maior parte. São também nesse período as primeiras medidas restritivas. Relatos de complicações clínicas apareceram em trabalhos ingleses e chineses. Os turcos baixaram, em 1633, a norma restritiva mais severa: pena de morte para os que fossem pegos fumando. Logo foram seguidos pelos chineses, cujo imperador decretou decaptação para os tabagistas (1638).


Figura 7: James I. O primeiro imperador antitabagista da história. Em 1604 escreveu de Counterblaste of tabacco (O outro lado do tabaco).

Apesar disso, o tabaco tornou-se paulatinamente ao longo do século XVIII uma planta de consumo profano, visando ao prazer e à diversão. Logo se converteu em um grande investimento comercial. Nos Estados Unidos, as plantações da Carolina do Norte viraram referência mundial para todos aqueles que se interessavam para produção e comercialização do produto (figura 8). Avanços tecnológicos para o cultivo da planta foram desenvolvidos com sucesso, principalmente nos Estados Unidos (figura 9). A vocação comercial da planta apareceu associada ao glamour, à sensualidade e a inofensividade.

FIGURA 8: Campo de plantação de tabaco na Carolina do Norte. Inicialmente destinado ao comércio triangular com o tráfico de escravos, converteu-se em um ciclo de grande prosperidade com a apreciação do produto na Europa.